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Edmundo Curvelo


Edmundo de Carvalho Curvelo nasceu em Arronches em 18 de Outubro de 1913 e morreu em Lisboa em 13 de Janeiro de 1954. Frequentou o Liceu de Setúbal e licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1936. Doutorou-se pela mesma Escola em 1948 com uma tese com o título Multiplicidades Lógicas Discretas.
Viveu sobretudo em Lisboa, mas também em Abrantes onde tinha ligações familiares. O seu espólio está na Biblioteca Municipal António Botto, nesta cidade e pode ser consultado. A Biblioteca Pessoal de Edmundo Curvelo encontrava-se em 2011, provisoriamente na Biblioteca da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Edmundo Curvelo foi um filósofo português da primeira metade do século XX que se distinguiu pela extensa obra na área da Lógica. Edmundo Curvelo tem uma obra extensa apesar de ter tido uma vida curta, tendo falecido com 40 anos, em casa, intoxicado por monóxido de carbono, em circunstâncias ainda hoje discutidas, onde as hipóteses de suicídio e homicídio têm sido colocadas mas sem que nenhuma delas tenha sido provada. Edmundo Curvelo casou-se em Faro com Noémia Cruz em 1940.
Noémia Cruz colaborou com Edmundo Curvelo, nomeadamente produzindo figuras para algumas das suas obras.
Separaram-se em data não muito precisa, depois de 1950, provavelmente mais tarde, um pouco antes da morte de Curvelo, ainda que não haja nenhuma evidência de ligação entre os dois acontecimentos.
A produção de Edmundo Curvelo teve principalmente lugar durante o período em que esteve casado.

Terminada a licenciatura, iniciou o seu trabalho como professor de liceu, tendo leccionado em vários liceus, quer em Lisboa, quer noutras cidades. Foi também Professor no Colégio Militar. Leccionava as disciplinas de Filosofia e de História e realizava excelente trabalho de recolha de documentação para consulta dos alunos, havendo várias referências à qualidade do seu trabalho docente com origens diversas. Com a entrega da sua tese de doutoramento em 1947, passou a leccionar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa as disciplinas de História da Filosofia Antiga, Moderna e Contemporânea, Teoria do Conhecimento, Moral, Lógica e Trabalhos de Seminário. A partir de 1949 foi também professor no Instituto de Orientação Profissional da Universidade de Lisboa onde introduziu, pela primeira vez, os testes psicotécnicos.

Desde cedo se dedicou à Lógica tendo sido, no seu tempo o filósofo português de maior relevo nesta área do conhecimento. Dedicou um esforço muito significativo a procurar dar um suporte lógico à Psicologia. Do ponto de vista filosófico assumiu a escola do Positivismo Lógico. O Professor Manuel Curado, estudioso da vida e obra de Curvelo, refere que Edmundo Curvelo foi o melhor lógico português do Século XX afirmando que: «Para o melhor e para o pior, Curvelo é a lógica do século XX em Portugal».

Um aspecto importante do trabalho de Edmundo Curvelo tem a ver com a aplicação da Lógica à fundamentação científica da Psicologia, que aliás dá origem a dois dos seus trabalhos mais conhecidos, Fundamentos Lógicos da Psicologia e Os Princípios da Logificação da Psicologia abaixo referenciados. Nesse contexto, aparece um estudo de José António Alves, publicado em 2019 num livro sobre Alan Turing (também abaixo referenciado) com o título As vidas paralelas de Alan Turing e Edmundo Curvelo e a matematização da mente que coloca o pensamento de Curvelo ligado às bases filosóficas e científicas daquilo que, hoje, denominamos Inteligência Artificial.

Fez ainda parte Comissão Especial para a Literatura Infantil e Juvenil, criada pelo Estado Novo. A comissão era presidida pelo Professor João de Serras e Silva e Edmundo Curvelo foi Vice-Presidente. A Comissão deveria propor relatórios em ordem à elaboração de legislação a aplicar a publicações e cinema para menores. Esta participação é ainda hoje muito discutida, havendo acusações de que Curvelo pactuou com o Salazarismo e a Censura e outras em sentido contrário.
Um texto de Manuel Curado e José António Alves, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra, Um Génio Português: Edmundo Curvelo (1913-1954), sendo cuidadoso, não o envolve em actividades de censura. Com uma perspectiva mais crítica, ainda que moderada e contextualizada da participação de Curvelo na Comissão, a tese de doutoramento de Ricardo Leite Pinto intitulada A censura e as publicações periódicas infanto-juvenis no Estado Novo: o papel da Comissão Especial para a literatura infantil e juvenil e da Comissão para a Literatura e Espectáculos para Menores (1950-1968).

Na Biblioteca Cosmos, Edmundo Curvelo publicou Introdução à Lógica, número 45 da colecção. Para além disso é tradutor de três outros livros da colecção: Os dois volumes de Os Sistemas Filosóficos de André Cresson, números 24 e 26 da colecção e Arte Primitiva de Leonhard Adam, número duplo 42/43 da colecção.

Para além da sua colaboração com a Biblioteca Cosmos, Edmundo Curvelo publicou alguns livros relevantes:

No trabalho de Manuel Curado e José António Alves, Um génio português: Edmundo Curvelo (1913-1954), abaixo referenciado, é incluída uma extensa bibliografia da produção de Curvelo.

Mais recentemente, em 2013, Manuel Curado e José António Alves, editaram, através da Fundação Calouste Gulbenkian, a Obra Completa de Edmundo Curvelo, incluindo alguns textos inéditos.

Há uma bibliografia significativa sobre Edmundo Curvelo:



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