Associação Bento de Jesus Caraça



João de Barros


João de Barros foi um escritor, pedagogo e político português. Nasceu a 4 de Fevereiro de 1881 na Figueira da Foz e faleceu a 25 de Outubro de 1960 em Lisboa.

Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra

Cedo se interessou pelo ensino e pela pedagogia, tendo sido professor de Português e Francês em vários liceus e dedicado ao estudo de aspectos pedagógicos em Portugal e numa viagem a vários países europeus no âmbito de uma bolsa. Dessa viagem, nasceu o livro A Escola e o Futuro adiante melhor referenciado. Para além da publicação de vários livros sobre Educação, participou activamente na Reforma da Instrução Primária, de 29 de Março de 1911, embora, segundo Nelson Veríssimo (ver adiante) João de Barros e João de Deus Ramos se terem queixado de que o ministro António José de Almeida de publicar no Diário do Governo um decreto diferente da sua proposta, e que havia sido já discutida e aceite.

Com a implantação da República foi nomeado para cargos superiores no Ministério da Instrução Pública assumindo as funções de chefe de repartição, director-geral do ensino primário, director-geral do ensino secundário e secretário-geral do Ministério. Foi também Ministro dos Negócios Estrangeiros. Segundo Oliveira Marques (Oliveira Marques, A. H. de (1985). Dicionário da Maçonaria em Portugal. Lisboa: Delta. p. 156) em 1910 teria entrado na Maçonaria com o nome altamente simbólico no seu caso de João de Deus.

Esteve ligado ao movimento Escola Nova, com origem na Europa Central e que teve grande desenvolvimento em Portugal e no Brasil no final do século XIX e início do século XX. Sobre as suas ideias relativamente ao ensino, consultar também um texto de Nelson Veríssimo publicado no blog Passos na Calçada.

João de Barros, na mesma linha defendida, num contexto mais abrangente por Bento de Jesus Caraça, preconizava uma educação integral orientada, no seu caso, para a criança.

Manteve sempre contacto com o Brasil, militando pela aproximação luso-brasileira, sendo o seu trabalho e as suas ideias reconhecidas nesse país. Em 1945, foi agraciado com a grã-cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul. Sobre este aspecto da sua personalidade e do seu trabalho, consultar um artigo de Luciana Lilian de Miranda, João de Barros e a Educação Luso-Brasileira nas Primeiras Décadas do Século XX.

A partir de 1913, tornou-se membro da Academia das Ciências de Lisboa e, desde 1920, sócio da Academia Brasileira de Letras.

Com o 28 de Maio, foi afastado da política activa. Em 1945 adere ao MUD. Apoia as candidaturas de Norton de Matos e Humberto Delgado.

Colaborou com um conjunto de Revistas e Jornais em Portugal e no Brasil, tendo tido cargos de direcção em algumas delas. Em 1915, juntamente com o escritor brasileiro Paulo Barreto, fundou a revista Atlântida.

Para além do número 4 da Biblioteca Cosmos, Pequena História da Poesia Portuguesa, João de Barros é autor de vários livros:

Poesia:

Outras obras:

Ao longo da sua vida dedicou-se também à divulgação de obras literárias, especialmente de poesia, numa série de volumes na colecção Clássicos da Humanidade, editados pela Livraria Sá da Costa:

Sobre João de Barros, o seu pensamento e a sua obra há diversas publicações. Referem-se aqui alguma:

Um artigo sobre a literatura portuguesa da época da República um artigo de José Carlos Seabra Pereira na Biblos, Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Biblos, n. s. VIII (2010) 337-418, com o título Literatura de Intuitos no Tempo Republicano, cita várias intervenções críticas de João de Barros que revelam a sua grande actividade no campo da crítica literária.

João de Barros era pai de Henrique de Barros que foi o autor de outro livro da Biblioteca Cosmos, mais exactamente o número 3 da colecção, "O Problema do Trigo".

Fontes de informação:

GSA